quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Outro Lado

Uma das coisas mais idiotas que uma namorada pode fazer é querer se comparar com a anterior. Cada história é especial de sua própria maneira e nunca será superada, mas é claro que essa é um fato que o cérebro se recusa a processar corretamente. São noites sem dormir pensando se ele amava mais a ex, se ela engasgava com o pau dele durante o sexo oral, se ele gemia mais alto com ela, dentre as mais variadas loucuras que configuram um delírio noite adentro nas mentes mais ciumentas e possessivas. 

Existem pessoas que acham ser portadoras de um aparelho capaz de medir o tamanho do amor, pois só isso explica como é que existem garotas afirmando que o namorado não a ama, é infeliz e amava mais a ex-namorada. Possivelmente essas mentes geniais estão desperdiçadas em alguma carreira comum quando deveriam trabalhar na NASA ou sei lá, o FBI. Desconsiderando tais mulheres com talentos tão raros, não existe uma maneira de se medir o amor ou o sentimento de alguém. Isso acontece no dia a dia, enquanto o casal está junto e ele diz nos olhos dela o quanto a ama. Ou enquanto ele tenta fazer cafuné cabecinha linda e adormecida dela - ainda que corra o risco dela reagir como se um mosquito estivesse próximo do seu ouvido. Também tem como medir nas pequenas atitudes, como puxar a cadeira do restaurante, abrir a porta do carro, e outros exemplos do dito perdido cavalheirismo. 

Para dizer a verdade sobre o caso: ele a amava demais. Do seu jeito maluco, mas era real. Os fantasmas dos relacionamentos passados rondavam a mente dele, mas bastava chamar os Caça-Fantasmas e tudo se resolvia e cada vez menos ele foi atormentado pelas memórias. Ela ficava se sentindo abandonada, sem lugar, e se comparava com o relacionamento anterior dele. Ela só ignora que o relacionamento anterior dele se resumia a sexo, maconha, mais sexo, mais maconha e cerveja. Não era um namoro, não tinha a pressão, o compromisso, as responsabilidades de um namoro. Mas não era fácil colocar isso na cabeça dela, que insistia em se comparar e acreditava piamente que ele havia sofrido pela amiga que ele comia e queria namorar. 

Depois de semanas brigando, o cara chega no limite depois de ler: "você não me faz infeliz, só não me completa", e se perguntar o que porra esta mulher quer da vida. Ele para para pensar um pouco e conclui que fez o que poderia para garantir a felicidade da pessoa, mas talvez tenha feito algumas coisas errado. Agora que ela o dispensou, sobra muito tempo livre para relembrar o passado e tentar descobrir se as acusações de "você não me ama" são merecidas ou apenas um delírio completo de alguém que não conseguiu enxergar que estava vivendo um sonho. 

A verdadeira pior maneira de se descobrir apaixonado é quando isso só acontece depois que o relacionamento chegou ao fim. O injusto é só quando acontece uma situação assim, em que você foi apenas incompreendido e acabou sendo colocado de lado como um babaca insensível e que não soube valorizar a pessoa amada. Ou o conceito de valorizar está muito superestimado ou ela queria mais do que era possível. Ele pelo menos já tinha certeza do que sentia e o fim foi somente para aumentar o seu sentimento e perceber que a gente só sabe valorizar depois que perde de vez. 



Nenhum comentário:

Postar um comentário