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sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A Ligação


- Olha, eu vou foder a sua vida inteirinha. Porque eu posso fazer isso. E você não. Você vai ficar quietinho me assistindo destruir tudo que você mais gosta, mais amou, mais acreditou e sonhou. E eu vou fazer isso porque eu posso. O que? Claro que não. Você não pode fazer nada enquanto piso, manipulo, engano, machuco, me vingo. Farei tudo isso por mim. Apenas por mim. Arrependimento? Você está louco que me arrependerei por pensar em mim pela primeira vez na vida? Você merece passar por isso. Você me fez passar pela mesma coisa. Ainda te amo, mas se você dormiu com uma pessoa durante nosso relacionamento, eu sinto muito, mas eu vou dormir com duas. E se você tivesse feito isso com mais gente, eu dormiria com o dobro. Eu terei o prazer de ver você se ajoelhando, humilhando e implorando para voltar. Minha vida estará melhor do que você nunca foi capaz de oferecer, pois na verdade, eu me importo apenas com segurança, algo que você sempre foi incapaz de me oferecer. Oh, não, não. Aposto que você está fazendo uma cara de choro. Não suporto homem chorão. Aprenda a comprar suas cuecas, seu moleque. Você é um merda chorão e temperamental. Mulherzinha. Ah, mas eu te amo. Você ainda é o amor da minha vida. A gente vai ficar junto, ah, a gente vai, vai, vai, vai, vai, vai. Ah, mas antes eu vou ali me casar com outra pessoa. Me espere, tá? Eu sou sua para sempre, seu lixo incompetente, imaturo, egoísta e cruel. Você é horrível. Uma pessoa cruel. CRUEL. CRUEL. CRUEL. Ele me acolherá. Me levará de carro e até mesmo pagará as minhas contas. Sim, a educação e o jeito dele me tratar como NINGUÉM nunca fez na vida fazem compensar o tamanho debilitado das coisas interessantes. Aliás, deixe-me ser justa: você pelo menos servia para foder. Ainda que eu sempre pensasse que havia uma terceira pessoa na cama... ah, tudo bem, quatro pessoas na cama. Era triste ver os seus olhinhos fechando durante o orgasmo. Você é patético. Patético. Estou tão livre, estou tão leve. Estou feliz. E você, Rodolfo? E você? Vai se enganar tomando café com leite e adoçante na casa das suas putinhas? Vai se enganar achando que será capaz de me esquecer algum dia? Deus, veja a sua pele. Rodolfo? Rodolfo? Você ainda está aí?


- Sim, ainda estou aqui. Mas meu nome é Pedro. Acho que você discou para o número errado. Sinto muito pelo Rodolfo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

O Outro Lado

Uma das coisas mais idiotas que uma namorada pode fazer é querer se comparar com a anterior. Cada história é especial de sua própria maneira e nunca será superada, mas é claro que essa é um fato que o cérebro se recusa a processar corretamente. São noites sem dormir pensando se ele amava mais a ex, se ela engasgava com o pau dele durante o sexo oral, se ele gemia mais alto com ela, dentre as mais variadas loucuras que configuram um delírio noite adentro nas mentes mais ciumentas e possessivas. 

Existem pessoas que acham ser portadoras de um aparelho capaz de medir o tamanho do amor, pois só isso explica como é que existem garotas afirmando que o namorado não a ama, é infeliz e amava mais a ex-namorada. Possivelmente essas mentes geniais estão desperdiçadas em alguma carreira comum quando deveriam trabalhar na NASA ou sei lá, o FBI. Desconsiderando tais mulheres com talentos tão raros, não existe uma maneira de se medir o amor ou o sentimento de alguém. Isso acontece no dia a dia, enquanto o casal está junto e ele diz nos olhos dela o quanto a ama. Ou enquanto ele tenta fazer cafuné cabecinha linda e adormecida dela - ainda que corra o risco dela reagir como se um mosquito estivesse próximo do seu ouvido. Também tem como medir nas pequenas atitudes, como puxar a cadeira do restaurante, abrir a porta do carro, e outros exemplos do dito perdido cavalheirismo. 

Para dizer a verdade sobre o caso: ele a amava demais. Do seu jeito maluco, mas era real. Os fantasmas dos relacionamentos passados rondavam a mente dele, mas bastava chamar os Caça-Fantasmas e tudo se resolvia e cada vez menos ele foi atormentado pelas memórias. Ela ficava se sentindo abandonada, sem lugar, e se comparava com o relacionamento anterior dele. Ela só ignora que o relacionamento anterior dele se resumia a sexo, maconha, mais sexo, mais maconha e cerveja. Não era um namoro, não tinha a pressão, o compromisso, as responsabilidades de um namoro. Mas não era fácil colocar isso na cabeça dela, que insistia em se comparar e acreditava piamente que ele havia sofrido pela amiga que ele comia e queria namorar. 

Depois de semanas brigando, o cara chega no limite depois de ler: "você não me faz infeliz, só não me completa", e se perguntar o que porra esta mulher quer da vida. Ele para para pensar um pouco e conclui que fez o que poderia para garantir a felicidade da pessoa, mas talvez tenha feito algumas coisas errado. Agora que ela o dispensou, sobra muito tempo livre para relembrar o passado e tentar descobrir se as acusações de "você não me ama" são merecidas ou apenas um delírio completo de alguém que não conseguiu enxergar que estava vivendo um sonho. 

A verdadeira pior maneira de se descobrir apaixonado é quando isso só acontece depois que o relacionamento chegou ao fim. O injusto é só quando acontece uma situação assim, em que você foi apenas incompreendido e acabou sendo colocado de lado como um babaca insensível e que não soube valorizar a pessoa amada. Ou o conceito de valorizar está muito superestimado ou ela queria mais do que era possível. Ele pelo menos já tinha certeza do que sentia e o fim foi somente para aumentar o seu sentimento e perceber que a gente só sabe valorizar depois que perde de vez.